terça-feira, 25 de agosto de 2015

25 DE AGOSTO - DIA DO SOLDADO



Neste dia dedicado a todos os Soldados do Brasil, a Aspra Sergipe vem prestar sua homenagem a todos os policiais e bombeiros militares do nosso Estado, bravos soldados, guerreiros valentes que deram à sua vida um nobre propósito, proteger a sociedade. Embora não haja muito a comemorar, embora o reconhecimento à nobreza da nossa missão seja tão pequeno, não deixaríamos de aproveitar o valor significativo desta data para agradecer e prestar nossas homenagens a todos os nossos Soldados, e entenda-se por Soldado todo aquele que enverga um uniforme para se revestir da nobre missão de proteger a vida e zelar pela paz social. Parabéns Policiais e Bombeiros pelo seu dia, afinal, "Somos bravos Soldados de Sergipe, paz e justiça é o nosso ideal". Feliz DIA DO SOLDADO.

domingo, 23 de agosto de 2015

NOTA DE PESAR



A diretoria da Aspra Sergipe vem com profunda tristeza manifestar o nosso pesar pelo falecimento do Soldado Vinicius, do Pepac, em consequência do acidente motociclistico sofrido pelo mesmo dias atrás. Rogamos a Deus que conforte sua família e em especial que cuide de sua filha menor que agora fica órfã de pai e mãe, tendo em vista que há cerca de dois meses a esposa do militar também faleceu nas dependências da empresa Alma Viva, onde trabalhava. Nossas orações, condolências e solidariedade à família.

A Diretoria

Nota: O sepultamento acontecerá na cidade de Salvador/BA, saindo um ônibus do CFAP às 10h30m com militares de Sergipe para prestarem as últimas homenagens ao nosso colega.

sábado, 22 de agosto de 2015

Rebelião em Glória: Presos atiram em agentes e fogem

A informação é de que o irmão do prefeito não resistiu
Várias viaturas estão no presídio (Foto: Arquivo portal Infonet)
Uma fuga em massa foi registrada por volta das 21h30 da noite desta sexta-feira, 21 no Presídio de Nossa Senhora da Glória. Presos estão rebelados e muitos fugiram em uma ambulância. Dois agentes penitenciários foram baleados e as primeiras informações são de que o irmão do prefeito Chico do Correio, o Antônio Da lua que é agente penitenciário, não resistiu aos ferimentos.
De acordo com o com o tenente-coronel Reinaldo Chaves, uma equipe do Pelotão de Caatinga está em perseguição aos presos. “Eles fugiram em uma ambulância levando reféns, no sentido do município de Feira Nova”, ressalta.
Informações extraoficiais dão conta de que a ambulância capotou no Povoado Sucupira, nas proximidades de Nossa Senhora das Dores.
Além do irmão do prefeito, também foi baleado o agente penitenciário identificado como Lenildson. Presos teriam chegado botando terror no hospital regional, levando a ambulância e outros carros.
Equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), estão no local prestando atendimento às vítimas e a população está assustada. Há troca de tiros tanto em Glória, quanto em Dores e dois fugitivos morreram. A polícia está orientando a população que não sai de casa e que, quem estiver na rua volte. Fugitivos tomaram o carro de um taxista que estava na Praça XV de Novembro.
SSP
Em nota, a assessoria de Comunicação Social da Secretaria de Segurança Pública de Sergipe, informou que:
"Centenas de policiais militares participam neste momento de grande operação para tentar prender os foragidos do Presídio de Nossa Senhora da Glória, que escaparam da casa penal por volta das 21h30 min desta sexta-feira. Os Batalhões de Policiamento do interior, assim como as Companhias especializadas da PM estão totalmente mobilizadas no sentido de prender os fugitivos. Participam da operação, policiais do Pepac, GATI, COE, Batalhão de Choque, além de todo o efetivo dos batalhões do interior sergipano. Policiais que atuam em municípios sergipanos que fazem divisa com outros Estados estão em alerta.  Estão no comando da operação, o comandante geral da PM, coronel Maurício da Cunha Iunes e o tenente-coronel Eliziel Rodrigues, comandante do Policiamento Militar do Interior (CPMI)".
Por Aldaci de Souza
Fonte: Portal Infonet

Homem morre ao tentar roubar PM à paisana

Fato congestionou trânsito da Av. Desembargador Maynard
Episódio ocorreu às 19h20 dessa sexta-feira, 21(Foto: Reprodução/PM)
Um homem morreu baleado durante uma tentativa de assalto a um policial a paisana do batalhão do choque no início da noite desta sexta-feira, 21. As primeiras informações passadas pelo coronel Chaves da Polícia Militar são de que o policial estaria à paisana quando o acusado teria tentado roubá-lo, mas o policial reagiu e baleou o homem.

O acusado usava uma motocicleta para a fuga e portava uma pistola. Ele morreu alguns minutos após ser baleado. O fato ocorreu na Avenida Desembargador Maynard por volta das 19h20 e atraiu uma multidão de curiosos além de congestionar o trânsito.

Ainda segundo informações do coronel Chaves, uma viatura do Choque foi até o local para prestar apoio à ocorrência.

Com informações da Polícia Militar
Fonte: Portal Infonet

Militares aprovam pautas e planejam levar a Belivaldo

Categoria luta por melhorias e direitos semelhantes da PC
Bombeiros, policiais militares e asssociações se uniram (Fotos: Arquivo Portal Infonet)
Em assembléia geral realizada na tarde desta sexta-feira, 21, policiais militares, bombeiros civis e associações militares aprovaram pautas para melhorias de condições de trabalho para a categoria e que serão levadas ao governador em exercício, Belivaldo Chagas, já na próxima segunda-feira, 24.

A categoria discutiu e aprovou a tabela de projeção e aplicação do subsídio para todos os militares prepara pelo comandante geral da PM, assim como a promoção automática para sub-tenente e a exigência do nível superior para acesso a PM, ambos semelhantes a polícia civil.

Outro ponto aprovado durante a assembléia e que será levado para apreciação da gestão será o pedido de presunção da inocência como garantia processual penal e o auxílio uniforme, proposto por toda categoria.

Segundo o militar e deputado estadual capitão Samuel Barreto (PSL), era necessário unir a categoria para aprovar uma pauta única, e isso foi possível hoje. “Conseguimos aprovar em assembléia geral uma pauta única graças a união de todos hoje. Agora vamos levar ao comandante geral da PM e na segunda-feira tentaremos marcar uma reunião com Belivaldo para entregar essas reivindicações”, disse.
Por Ícaro Novaes e Aldaci de Souza
Fonte: Portal Infonet

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Militares aprovam em assembleia pauta de reivindicações da categoria.

Categoria chegou a um consenso e definiu propostas.


 Deputado Capitão Samuel participou do encontro com os militares.


A Aspra/SE esteve presente em mais uma assembleia unificada. Na foto o presidente Sargento Carlos em pronunciamento ao público.

Depois de se reunirem na última segunda-feira, 17, à tarde na Escola do Legislativo, policiais e bombeiros militares tiveram um novo encontro na tarde desta sexta-feira, 21, desta vez na sede da Associação dos Cabos e Soldados, para definirem a pauta de reivindicações a ser apresentada ao Comando da Polícia Militar e ao Governo do Estado.

Em busca de um consenso que pudesse fortalecer a luta da categoria, os militares debateram a proposta de subsídio apresentada pelo Comando da PM e após a análise das projeções concordaram em apoiar a proposta do Comando, mas em contrapartida a categoria também deseja receber o apoio do Comandante em sua própria pauta de reivindicações, que tem como carro chefe a aprovação da promoção automática para os praças até Subtenente. Além disso os militares também querem a aprovação do nível superior para ingresso na carreira e irão propor alguns ajustes na proposta.

A definição de carga horária foi deixada para outro momento. A proposta não teve apoio da maioria e devido à sua complexidade e às muitas dúvidas ainda existentes, ficou definido que será formado um grupo para estudar e apresentar uma proposta a respeito posteriormente.

Para o presidente da Aspra/SE, sargento Antônio Carlos, a construção de uma pauta aprovada pela maioria é importante porque legitima as lideranças a falarem em nome de toda a categoria, já que ela mesmo decidiu pelo que deve-se lutar. Representantes das associações dos militares pretendem se reunir com o Comandante Geral da PMSE, coronel Maurício Iunes, para apresentar as deliberações da classe. Já o deputado estadual e líder da oposição na Alese, Capitão Samuel (PSL), informou que tentará agendar uma reunião com o governador em exercício, Belivado Chagas, para que ele receba uma comissão de representantes dos militares e acolha suas reivindicações.

Ascom Aspra



quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Militares se reunirão em nova assembleia geral nesta sexta-feira.



Policiais e bombeiros militares irão se reunir novamente nesta sexta-feira, 21, em assembleia geral unificada para discutirem que propostas irão apresentar ao Governo do Estado. A reunião será a segunda em um intervalo de apenas cinco dias e demonstra que os militares estão novamente mobilizados para lutar por seus direitos.

Na última segunda-feira a categoria esteve reunida no auditório da Escola do Legislativo, no Centro de Aracaju, para analisar a proposta elaborada pelo Comando da Polícia Militar transformando a remuneração dos militares em subsídio. Preocupados com os efeitos dessa mudança a longo prazo os militares decidiram que para aceitar o subsídio seria necessária a inserção de outras propostas, aprovando assim a inclusão da promoção automática, definição de carga horária e exigência de nível superior para ingresso nas corporações, além de deliberarem pela criação de uma comissão que terá como missão a elaboração de uma proposta  para o novo Código Disciplinar para os militares sergipanos.

A Aspra Sergipe esteve presente no primeiro encontro e também participará amanhã. Para o vice-presidente da associação, sargento Anderson Araújo, o momento é ímpar e é necessário voltar a envolver os militares nos debates e discussões sobre os assuntos que têm influência em suas vidas. "Estaremos mais uma vez junto com nossos companheiros, dando nossa contribuição, apresentando nossas ideias, ouvindo as ideias dos colegas e participando da construção do nosso futuro. Aproveito para convidar a todos os militares de folga para que se façam presentes e também contribuam nesse processo de reconstrução da unidade da nossa categoria", declarou o sargento.

Na terça-feira, 18, representantes de associações se reuniram na Associação de Cabos e Soldados, local da próxima assembleia geral, para discutir ideias e propostas que serão apresentadas à categoria. A assembleia geral dos militares acontece a partir das 14h00 desta sexta-feira, 21 de agosto.

Ascom Aspra

Câmara aprova em 2º turno redução da maioridade penal em crimes graves

Proposta reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos nos casos de crimes hediondos – como estupro e latrocínio – e também para homicídio doloso e lesão corporal seguida de morte. Debate sobre o tema foi acirrado ao longo do ano.
Luis Macedo/Câmara dos Deputados
Sessão extraordinária para votação, em 2º turno, da PEC da maioridade penal (PEC 171/93)
Deputados comemoram aprovação da PEC em 2º turno. Texto seguirá para o Senado.
O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (19), em segundo turno, a Proposta de Emenda à Constituição 171/93, que diminui a maioridade penal de 18 para 16 anos em alguns casos. A proposta obteve 320 votos a favor e 152 contra. A matéria será enviada ao Senado.
De acordo com o texto aprovado, a maioridade será reduzida nos casos decrimes hediondos – como estupro e latrocínio – e também para homicídio doloso e lesão corporal seguida de morte.
Em julho, a proposta foi aprovada em 1º turno com o voto favorável de 323 deputados e 155 votos contra.
O texto aprovado é uma emenda apresentada pelos deputados Rogério Rosso (PSD-DF) e Andre Moura (PSC-SE). Essa emenda excluiu da proposta inicialmente rejeitada pelo Plenário os crimes de tráfico de drogas, tortura, terrorismo, lesão corporal grave e roubo qualificado entre aqueles que justificariam a redução da maioridade.
Pela emenda aprovada, os jovens de 16 e 17 anos deverão cumprir a pena em estabelecimento separado dos adolescentes que cumprem medidas socioeducativas e dos maiores de 18 anos.
Aprovação popular
Os deputados favoráveis ao texto defenderam a PEC da Maioridade Penal amparados em uma pesquisa que indica o aval de 87% da população brasileira à proposta.
Vice-líder da Minoria, o deputado Moroni Torgan (DEM-CE) disse que é hora de dar uma resposta à população. “É preciso parar com ‘blá blá blá’. O problema é a educação, é sim, mas há 30 anos estamos falando que a culpa é a educação e ela não melhorou”, afirmou.
Para o deputado, a população sabe que a proposta não vai resolver por completo o problema. “A população é inteligente e sabe que a lei não vai resolver o problema. A lei é um dos indicadores da solução do problema”, disse Torgan.
O deputado Cabo Sabino (PR-CE) disse que o Parlamento precisa dar ouvidos ao clamor popular. “Todos nós aqui estamos obedecendo à vontade da maioria da população. Aquele jovem que trabalha, que está preparando os seus estudos, não está preocupado com a redução da maioridade penal. Quem está preocupado são os jovens infratores que estão vivendo do crime e para o crime”, opinou.
Na avalição do líder do PSD, deputado Rogério Rosso, só serão punidos os jovens que hoje têm “licença para matar”. “Esse jovem que hoje tem permissão e licença para matar sabe exatamente o que está fazendo. Ele não pode ser tratado como os demais jovens e adolescentes e muito menos preso junto com os adultos”, defendeu.
Alex Ferreira/Câmara dos Deputados
Ordem do Dia da sessão ordinária destinada a votar, em segundo turno, a Proposta de Emenda à Constituição 171/93, que diminui a maioridade penal de 18 para 16 anos nos casos de crimes hediondos. Dep. Rogério Rosso (PSD-DF)
Rogério Rosso: serão punidos jovens que hoje têm “licença para matar”

O líder do PSC, deputado Andre Moura, também disse que a votação é uma resposta à sociedade. “Não vai resolver o problema da violência do Brasil, mas, com certeza, vai fazer justiça com milhares de famílias vítimas desses adolescentes que matam de forma bárbara”, afirmou.
Punição
Para o deputado Delegado Edson Moreira (PTN-MG), trata-se de separar o joio do trigo, para que os jovens condenados por crimes bárbaros sejam efetivamente punidos.
“Não queremos encarcerar ninguém, mas responsabilizar aqueles que se dizem crianças, mas, na realidade, são criminosos impiedosos e nefastos à sociedade”, afirmou.
O deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), no entanto, afirmou que o Plenário decidiu pela emoção. “Se fosse pela emoção, o Datafolha diz que nosso salário deveria ser metade e que esta Casa tem de fechar”, disse o deputado, referindo-se ao principal argumento favorável à PEC: a aprovação popular.
“Está se vendendo um pacote contra a violência que não será entregue à população”, avaliou Perondi.
Fonte: Agência Câmara

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Militares se reúnem em assembleia geral para discutir propostas.

Associações e Deputado Samuel Barreto dialogam com categoria em busca de um consenso.



Militares lotaram auditório da Escola do Legislativo.

Na tarde desta segunda-feira, 17, policiais e bombeiros militares se reuniram em assembleia geral na Escola do Legislativo, no Centro de Aracaju, para discutir a proposta de subsídio apresentada pelo Comando Geral da PMSE, a qual prevê a mudança do sistema remuneratório dos servidores militares, adequando-o ao que preceitua a Constituição Federal. Representantes de diversas associações, entre elas a Aspra, e o deputado estadual Capitão Samuel também se fizeram presentes.

Na oportunidade foi apresentada a tabela de vencimentos proposta pela PM, a qual não satisfez plenamente os anseios da categoria que há muito luta pelo tratamento igualitário no âmbito da segurança pública do estado, especialmente em termos remuneratórios. Outro problema que gerou preocupação quanto à tabela é que a transformação em subsídio, pago em parcela única, elimina o direito à percepção de gratificações, passando os servidores a depender exclusivamente dos reajustes anuais concedidos pelo governo para aumentar sua remuneração, o que não tem ocorrido nos últimos anos, embora esse seja o mandamento constitucional.

A Aspra Sergipe esteve representada por seus diretores e pelo soldado Isaías, representante regional do Baixo São Francisco, de onde vieram muitos militares para acompanhar a assembleia. O presidente da Aspra, sargento Carlos, e o vice-presidente sargento Araújo, fizeram alguns esclarecimentos e expuseram as opiniões formadas em consenso com seus associados em assembleia realizada no último sábado, e defenderam que a proposta de subsídio, caso aprovada, deve vir acompanhada de promoção automática, definição de carga horária e exigência de nível superior para ingresso nas corporações, pautas também defendidas por outras lideranças e bem recepcionadas pela classe.

Na avaliação da Aspra a assembleia foi bastante participativa e produtiva, e pode representar o início de um novo ciclo de mobilização da categoria em prol de objetivos comuns.

Para o sargento Carlos, assim como o Comando da PM as associações também desejam que a categoria se envolva na causa e abrace a proposta, mas para isso se faz necessário que a proposta contemple a todos - "Só assim, formando um consenso, conseguiremos que a categoria lute unida pelo mesmo propósito. Por isso se faz essencial construirmos ideias através do debate, de forma democrática e participativa. Quando todos se sentirem responsáveis pelas propostas apresentadas, certamente todos irão lutar por elas com unhas e dentes" - declarou o sargento Carlos.

Definições

Como resultado da assembleia foram definidos os seguintes encaminhamentos: construção de uma nova tabela para apresentar como contra proposta ao Comando; inclusão da promoção automática, carga horária e nível superior no pacote de propostas; formação de uma comissão para elaborar proposta do código disciplinar dos militares.

Na tarde de hoje, 18, haverá reunião entre os representantes das associações para iniciar a formatação das propostas. Já na próxima sexta-feira, dia 21, às 14h00, acontece mais uma assembleia dos militares, desta vez na Associação dos Cabos e Soldados, no bairro Santos Dumont em Aracaju.

Ascom Aspra

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Caso cabo PM: Enteado acusado pelo crime se entrega

Cleverton Coelho Santos estava acompanhado do advogado
Cleverton Coelho se entregou no final da tarde (Foto: Divulgação polícia)
O enteado do cabo da Polícia Militar de Sergipe, Jeová Santos, assassinado no último dia 8, quando dormia em casa [no conjunto Parque dos Faróis], se apresentou no final da tarde desta quinta-feira, 13 à equipe da delegada Juliana Alcoforado (3ª Delegacia).
De acordo com o diretor do Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), delegado Alessandro Vieira, o suspeito Cleverton Coelho Santos, 19, que estava foragido desde o dia do crime, se apresentou no final da tarde.
“Nós fizemos várias incursões nos prováveis locais onde ele poderia estar, o localizamos e por volta das 16h ele se apresentou acompanhado do advogado. Também já recuperamos a pistola ponto 40 e o entregamos a Coordenadoria de Polícia da Plantonista para determinar qual a delegacia que ele será encaminhado, pois aqui no Departamento de Homicídios não custodiamos”, explica.
Relembre
Poucas horas após o crime, a polícia conseguiu desvendar o assassinato e colocar atrás das grades a esposa da vítima, identificada como Andrea Santos Coelho, que informou que o seu filho mais velho, Cleverton Coelho Santos teria matado Jeová Santos por conta de uma briga, mas a versão foi derrubada pelo filho mais novo de Andrea.
Segundo a Polícia, foi o adolescente de 12 anos, que confessou e contou para a polícia que o crime foi articulado pela mãe com uma semana de antecedência.
Cleverton Coelho será apresentado à imprensa às 8h desta sexta-feira, 14, na Academia de Polícia Civil (Acedepol). Na ocasião, o delegado Alessandro Vieira e o delegado geral Everton Santos, vão detalhar os procedimentos investigativos.
Por Aldaci de Souza
Fonte: Portal Infonet

PM reformado é assassinado a pauladas e facadas em SE

Policial aposentado estava dormindo quando teve casa invadida
PM foi executado dentro de casa (Foto: PM5 cedida ao Portal Infonet)
Um policial militar, José Alves Correia, aposentado estava dormindo na residência quando teve a casa invadida, sendo espancado e assassinado por bandidos. O caso ocorreu na madrugada desta quinta-feira,13, no município de Porto da Folha, distante cerca de 190 km da capital sergipana.
A equipe do Portal Infonet conversou com o delegado Josioland Machado Eugênio que passou as primeiras informações sobre o homicídio. Segundo o delegado o fato ocorreu por volta das 3h30 quando o policial estava dormindo em casa.
“Ainda não sabemos ao certo a quantidade de homens que entraram na casa, mas a princípio eles chegaram e disseram que era para ele não se meter com mulher casada, mas isso pode ter sido para driblar a investigação”, fala.
No momento do crime, a esposa do policial também estava na residência. “Ela foi retirada da casa, enquanto ele foi morto a pauladas e a facadas. A mulher não sofreu agressão física”, afirma.
O delegado esclarece ainda que não acredita que o assassinato tenha relação com assalto, mas que investigará outras linhas que possam levar aos autores. O Instituto Médico Legal (IML) foi acionado na manhã desta quinta-feira para resgatar o corpo.
Portal Infonet também conversou com a Polícia Militar que atua na 2ª Companhia do 4º Batalhão que atendeu a ocorrência. A informação da esposa da vítima é que os autores foram cerca de três homens que após espancar o 3º sargento da reforma, desferiram um golpe de faca que chegou a degolar a vítima.

Fonte: Portal Infonet


NOTA: A Aspra Sergipe lamenta o trágico falecimento de mais um policial militar, o quarto a ser assassinado este ano. Rogamos a Deus que conforte a família do Sgt RR Correia. com quem tivemos a satisfação de conviver quando foi associado à Aspra. Que Deus cuide de seus familiares e que as autoridades do Estado possam tomar as atitudes cabíveis para dar resposta a estes crimes.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

ASSEMBLEIA GERAL DA ASPRA



ATENÇÃO ASSOCIADOS! A ASPRA CONVIDA A TODOS PARA PARTICIPAREM DE ASSEMBLEIA GERAL NO PRÓXIMO SÁBADO, 15 DE AGOSTO DE 2015, A FIM DE DELIBERARMOS SOBRE A PROPOSTA DE SUBSÍDIO PARA OS SERVIDORES MILITARES. COMPAREÇA PARA DECIDIRMOS JUNTOS SOBRE O QUE QUEREMOS PARA O NOSSO FUTURO.

A Associação dos Praças Policiais e Bombeiros Militares de Sergipe (Aspra/SE) realizará no próximo sábado, 15, a partir das 09h em sua sede social no Conjunto Orlando Dantas, assembleia geral para discutir com seus associados a proposta de subsídio dos servidores militares. Para o presidente da Aspra, sargento Antônio Carlos, é de suma importância que a associação ouça os seus associados e debata com eles sobre os assuntos que são do interesse de todos. Após as discussões serão deliberados que posicionamentos a Aspra deverá adotar a respeito do assunto em pauta, sendo as decisões tomadas em conjunto com o corpo social.

O sargento Carlos esclarece ainda que a assembleia da Aspra não tem o objetivo de concorrer com a assembleia geral dos militares convocada para o próximo dia 17. "Pelo contrário, a decisão de fazermos a nossa assembleia antes do dia 17 é exatamente para que possamos defender neste dia aquilo que for deliberado pelos nossos sócios. Não defenderemos a posição do presidente ou de qualquer diretor, defenderemos a posição que for tomada ouvindo nossos sócios, e essa será a posição da Aspra. Isso é democracia", declarou o sargento Carlos.

A assembleia da Aspra Sergipe acontecerá na data e horário já divulgados, na sede da associação em Aracaju, localizada à Rua Prof. João Batista (antiga Rua C 12), s/nº, no Conjunto Orlando Dantas, próximo à Av. Gasoduto.

Veja o mapa de localização abaixo.




terça-feira, 11 de agosto de 2015

Parabéns advogados pelo seu dia!



Através dos advogados que fazem nossa assessoria jurídica, queremos externar nossos cumprimentos a todos os advogados pela passagem do seu dia. E de maneira especial demonstrar nossa gratidão ao Dr. Sérgio, Dr. Aloizio e Dr. Kleber, que cuidam da defesa dos nossos associados e da nossa associação com dedicação. Nosso obrigado a a todos e parabéns!

Aspra oficia SSP sobre mortes de policiais.

A vitimização de policiais militares no Brasil tem se tornado um fato cada vez mais preocupante. Estudos apontam que é grande o número de policiais mortos em suas horas de folga, superando o quantitativo dos que tombam em serviço. E infelizmente Sergipe não está livre dessa estatística. Somente este ano três policiais militares foram assassinados no estado. Foram eles o sargento André Nascimento e os cabos Arnaldo Mendonça e Jeová Santos, este último barbaramente assassinado pelo próprio enteado, segundo apontam as investigações, fato ocorrido na noite do último sábado (8).

Diante destes fatos, a exemplo do que já havia feito anteriormente, a Aspra Sergipe oficiou a Secretaria de Segurança Pública e solicitou ao Secretário Mendonça Prado o empenho da SSP para a elucidação e prisão de todos autores dos três homicídios dos quais foram vítimas estes policiais, tendo em vista que ainda há indivíduos envolvidos nestes crimes que continuam à solta, pondo em risco a sociedade e deixando intranquilos os familiares das vítimas. No caso do cabo Arnaldo, por exemplo, morto no último dia 6 de junho, nenhum dos elementos foi capturado até o momento, segundo informou a viúva do militar, que deixou órfãs três filhas menores.

Para a Aspra/SE é necessário que o Estado dê uma resposta a estes crimes, pois as vítimas eram servidores do Estado que dedicavam suas vidas para proteger seus concidadãos. "Cada vez que um policial militar é vítima de um crime bárbaro como aconteceu nos três casos, não se atinge apenas aquele policial, se atinge todos os seus companheiros e toda a instituição. É preciso portanto que o Estado dê uma resposta a altura e não permita que estes crimes fiquem impunes. Do contrário a mensagem que transmitiremos aos marginais será de que matar policial é muito fácil e não dá em nada, e à sociedade transmitiremos uma extrema sensação de insegurança, posto que se nem os policiais estão seguros, imagine o cidadão dito comum", desabafou o sargento Anderson Araújo, vice-presidente da Aspra/SE.

Audiência

A Aspra também aproveitou para solicitar ao Secretário Mendonça Prado que receba em audiência representantes da associação para discutir assuntos de interesse da classe militar. De acordo com o presidente, sargento Antônio Carlos, desde o mês de março que havia sido marcada uma audiência, a qual foi adiada, reagendada e novamente adiada. "Desde então estamos aguardando um novo reagendamento, fizemos alguns contatos mas não obtivemos retorno. Nesse intervalo porém outros segmentos e entidades foram recebidos, pelo que esperamos receber da SSP a mesma atenção, haja vista que os assuntos que desejamos tratar são de interesse coletivo de uma classe extremamente importante para a segurança pública", afirmou o sargento.

CIAPS

A Aspra também pretende tratar com o secretário Mendonça Prado acerca do funcionamento do CIAPS (Centro Integrado de Atenção e Apoio Psicossocial). Na última semana um policial militar cometeu suicídio na capital, fato que trouxe à tona mais uma vez a importância do apoio psicossocial aos profissionais de segurança pública. Infelizmente a Polícia Militar já não conta mais com o antigo NAPS (Núcleo de Apoio Psicossocial) e toda demanda é canalizada para o CIAPS. Para tanto é necessário que este Centro conte com a estrutura necessária para atender aos profissionais com problemas psicológicos, psíquicos, de alcoolismo, entre outros transtornos. 

Informações preliminares dão conta de que o CIAPS necessita de mais pessoal para garantir a efetividade do trabalho realizado. "Queremos buscar mais informações acerca do trabalho do CIAPS, de suas necessidades e trabalhar no sentido de que seja dada a atenção necessária a este trabalho tão importante e essencial para a saúde dos agentes de segurança pública, profissionais que todos os dias estão submetidos a altos níveis de estresse e que necessitam de especial atenção para evitar situações trágicas como a ocorrida semana passada com a morte do soldado Luciano Vieira", finalizou o sargento Carlos.

ASCOM ASPRA

"A perversão começa na formação" diz ex-PM condenado

Na penitenciária de Bangu, ex-soldado da PMERJ Rodrigo Nogueira Batista fala sobre cultura violenta da corporação, corrupção dos oficiais e o revanchismo entre policiais e criminosos

Foto: Carta Capital

Com quase dois metros de altura, mais de 100 quilos entre músculo e alguma gordura, o ex-soldado da Polícia Militar do Rio de Janeiro Rodrigo Nogueira Batista, de 33 anos, é um “monstro” como a gíria popular classifica os brutamontes do tamanho dele. A orelha esquerda estourada pelos tatames de jiu-jitsu e o nariz meio torto ajudam a compor a figura do ex-PM preso em Bangu 6 (Penitenciária Lemos de Brito). Essa prisão, destinada prioritariamente a ex-policiais, bombeiros, agentes penitenciários e milicianos, faz parte do Complexo Penitenciário de Bangu, bairro da zona oeste do Rio de Janeiro. Preso desde novembro de 2009, Rodrigo foi condenado pela Justiça Militar a 18 anos por furto qualificado, extorsão mediante sequestro e atentado violento ao pudor e a 12 anos e 8 meses no Tribunal do Júri por tentativa de homicídio triplamente qualificado.

Segundo a condenação judicial, Rodrigo e seu então parceiro, o cabo Marcelo Machado Carneiro, abordaram a vendedora ambulante Helena Moreira na descida do Morro de São Carlos, onde ela morava. Ela iria à estação de metrô Estácio, no bairro do Estácio de Sá, Rio de Janeiro, e levava na bolsa R$ 1.750. Os policiais a revistaram, roubaram a quantia em dinheiro e sequestraram Helena pensando que ela fosse mulher de algum traficante. Segundo a decisão do juiz Jorge Luiz Le Cocq D’Oliveira, os PMs mantiveram a vendedora sob cárcere privado por quatro horas, onde ela foi agredida e “constrangida a praticar atos libidinosos” antes de ser atingida por um tiro de fuzil no rosto, que teria sido disparado por Rodrigo. Ainda segundo a sentença, a vítima se fingiu de morta após a sessão de tortura e foi à delegacia dar queixa. Rodrigo recorreu da sentença no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ele afirma não ter cometido o crime pelo qual foi condenado, mas diz com todas as letras que “não é inocente”, cometeu “outros erros” como policial, que ele não quer detalhar para não complicar sua situação.

Ele é autor do livro “Como Nascem os Monstros”, da Editora Topbooks, um brutal “romance de não-ficção”, em que mistura suas próprias histórias às histórias de outros colegas, casos de repercussão na crônica policial e “causos” da corporação. No livro, Rodrigo descreve com consistência a transformação de um jovem comum, com vagos ideais de defesa da sociedade e combate ao crime, em um criminoso fardado que usa de sua posição para matar, sequestrar, extorquir e prestar serviços à milícia. O resultado é um quadro aterrador de achaque de oficiais aos recrutas, corrupção dos batalhões e uma ácida interpretação da visão da sociedade em relação à polícia.

“Nenhum, eu digo e afirmo, nenhum recruta sai do CFAP [Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças] pronto para empunhar uma arma no meio da rua”, afirma categoricamente o ex-PM. Mas logo ele vai aprender que tem que pagar para tirar férias, para ficar nos melhores postos da corporação e assistir aos oficiais lucrando com a venda de policiamento. “No Morro dos Macacos, ninguém entrava sem autorização do comando. Se um carro fosse roubado, e o bandido fugisse com o veículo para o interior da comunidade, sorte dele (…). Acredite, se um policial adentrar uma comunidade sem autorização do comando, não importa o motivo, ele responderá por descumprimento de ordem. O morro que está ‘arregado’ não tem tiro nem morte, basta estar com o carnê em dia”, denuncia.

“Posso garantir que, ao ingressar na corporação, ninguém acredita que um dia vai sequestrar alguém, roubar seu dinheiro, matar essa pessoa e atear fogo ao corpo. Pode até ter uma vontadezinha de atirar em algum bandido (…), mas pensar em tamanha crueldade é impossível”, narra Rodrigo no livro. “Embaixo da casca monstruosa que envolve esse tipo de criminoso, o policial militar que erra, também havia (há?) um homem que um dia estudou, passou no concurso, se formou, fez um juramento e marchava com garbo. Deu orgulho à sua família e, pelo menos uma vez, arriscou morrer pela sociedade.”

Tenho diante de mim um monstro: alguém condenado por um crime hediondo, mas, na própria metáfora de Rodrigo, alguém que também é produto de mecanismos cruéis de uma corporação cruel. Ligo o gravador. Essa é a versão dele.

Como você entrou na Polícia Militar?

Entrei na Marinha com 18 anos, fui aprendiz de marinheiro em Santa Catarina. Sempre gostei muito da vida militar. Logo no começo eu já me desiludi com o militarismo na Marinha. Eu sentia falta de realmente me sentir útil. Quando eu tive que escolher uma especialização na Marinha, não consegui passar nos exames para mergulhador. Sobraram algumas áreas bem ruins e aí resolvi fazer o curso da polícia. Passei no primeiro concurso que eu fiz, pedi baixa da Marinha e fiquei aguardando. No fim, eu fui pra polícia.

Mais uma vez veio a desilusão. Assim que nós nos apresentamos lá no CFAP (Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças da Polícia Militar), onde a maioria dos praças são treinados. O CFAP deveria ser um centro de excelência, mas para você ter uma ideia, no primeiro dia não teve nem almoço pros recrutas. No primeiro dia tivemos só meio expediente e o comando já liberou todo mundo.

Você conta no livro que ali começou uma degradação de um rapaz que tinha um ideal, queria defender a sociedade, e começou a tomar contato com a violência e a corrupção na corporação. Como foi isso pra você?

O processo de perversão começa no início da formação. Quando cheguei no CFAP, o primeiro contato quando a gente sai do campo para a companhia é um caminho cercado por árvores. Do alto daquelas árvores, os policiais antigos começavam a disparar tiros de festim e soltar bombas. O camarada que deveria ser treinado desde o início pra policiar, já começa a ser apresentado a uma guerra. Dentro do CFAP, a cultura dos instrutores não é formar policiais. É formar combatentes. E aí é que tá o problema: você formar um combatente para trabalhar numa coisa tão complexa quanto o aspecto social que ele vai ser inserido. Um dia o policial tá trabalhando com um mendigo, no outro com um juiz, no outro com um assassino, no outro com um estuprador. Para você preparar um combatente para trabalhar nesse contexto, é muito delicado. Demora muito. Se isso não for muito bem feito você acaba criando monstros.

As instruções, as aulas que são ministradas no CFAP desde o início elas começam a mudar o viés do camarada. A minha turma não teve nem aula de direito penal, não teve aula de direito constitucional, não teve aula de filosofia, de sociologia. A gente chegava na sala de aula, sentava, o instrutor falava meia dúzia de anedotas da história da polícia militar e o resto é contando caso (matou fulano, prendeu ciclano). Dentro do próprio ambiente ali, os outros oficiais que coordenavam o curso só tinham um objetivo: deixar o cara aguerrido, endurecido, fazer esse recrudescimento da moral do indivíduo para ele não demonstrar piedade, covardia. Eles acreditam que se o camarada endurecer bastante ele pode preservar a própria vida com isso. Mas isso é ruim: você cria um cachorrinho bitolado que não consegue enxergar as coisas ao redor como elas são.

Depois de alguns meses no CFAP, o recruta vai estagiar e trabalhar com os antigos na rua. Como na época era verão, existiam as chamadas Operações Verão. Eles colocam o policial antigo armado e dois ou três “bolas-de-ferro”, como eles chamam os recrutas, justamente por dificultar a movimentação do antigo. Geralmente, os batalhões que recebem esse efetivo do CFAP são os litorâneos. Aí a gente foi pro 31º, no Recreio, 23º, que é o Leblon, 19º, Botafogo, 2º, Copacabana… Eu ficava um pouquinho em cada um.

No período de praia, por exemplo, a gente chegava e o antigo ficava angustiado com a nossa presença porque queria pegar o dinheiro do flanelinha, do cara que vende mate, da padaria. Outro exemplo: uma das instruções que os oficiais davam antes do efetivo sair pro policiamento era: “olha, vocês podem fazer o que quiserem, pega o pivete, bate, quebra o cassetete, dá porrada no flanelinha. Só não deixa ninguém filmar e nem tirar foto. O resto é com a gente. Cuidado em quem vocês vão bater, com o que vocês vão fazer e tchau e benção”. A minha turma partiu pro estágio com dois meses de CFAP, dois meses tendo meio expediente e depois rua. E aí, meu camarada, a barbárie imperava: pivete roubando, maconheiro… Quando caía na mão era só porrada e muito gás de pimenta. Foi ali que eu tive contato com as técnicas de tortura que a Polícia Militar procede aí em várias ocasiões. Você vê agora o caso do Amarildo. O modus operandi vai se repetindo, evoluindo, até que toma uma proporção mundial. Eu conheci aqueles recrutas que participaram do caso Amarildo lá no presídio da Polícia Militar e eles foram formados depois do meu livro. O último parágrafo do meu livro diz que os portões do presídio da polícia militar estarão sempre abertos para receber cada novo monstro nascente. E que venha o próximo. E continuam nascendo os monstros, um atrás do outro. Aqueles policiais que participaram do caso Amarildo, pelo menos de acordo com o que o inquérito está investigando eles estão fazendo as mesmas práticas que eu já fazia, que o meu recrutamento já fazia, que outros fizeram bem antes de mim e que já vem de muitos anos. Vem de uma cultura.

Como um policial aprende a torturar?

É no dia a dia mesmo. O nosso direito dificulta o trabalho do policial em certos aspectos. Por exemplo, um pivete roubou uma coisa de um turista e correu. O policial corre atrás do pivete e pega o pivete. Quando ele consegue chegar no pivete, ele já jogou o que ele roubou fora e ele é menor de idade, não pode ser encaminhado para a delegacia. Porra, mas o policial sabe que ele roubou. E aí entra o revanchismo, a hora da vingança. Primeiro lugarzinho separado que tiver (cabine, atrás de um prédio, dentro dos postos do guarda-vidas) é a hora da válvula de escape. E eu posso assegurar para você: da minha turma do CFAP, de dez que se formaram comigo, nove jamais pensaram que passariam por um processo de desumanização tão grande. O camarada começa a ver um pivete levando choque, spray de pimenta no ânus, no escroto, dentro da boca e não sente pena nenhuma. Pelo contrário, ele ri, acha engraçado.

E tem um motivo: se nesse momento que o mais antigo pegou o pivete e começa a fazer isso, se você ficar sentido, comovido por aquela prática, pode ter certeza que vai virar comédia no batalhão, vai ser tido como fraco. Vai ser tido como inapto para o serviço policial. E aí você vai começar a ser destacado, a ser visto como um elemento discordante desse ideal que a tropa criou. Se eu tô com você, mas você não tem disposição pra bancar o que eu tô fazendo com um vagabundo, na hora que der merda é você que vai roer a corda. Na hora que o vagabundo me der tiro, você não vai ter peito pra meter tiro nele. No fim, você vai ser afastado: vai ficar no rancho, na faxina ou em algum baseamento a noite toda.

Você vai formando e selecionando por esse critério. Se você é duro, você vai trabalhar na patrulha, no GAT (Grupamento de Ações Táticas), na Patamo (Patrulhamento Tático Móvel)… Agora você que é mais sensato, que não vai se permitir determinadas coisas, não tem condições de você trabalhar nos serviços mais importantes. Não tem como o camarada sentar no GAT se não estiver disposto a matar ninguém. Não tem como. E não é matar só o cara que tá com a arma na mão ali, é matar porque a guarnição chega a essa conclusão: “Não, aquele cara ali a gente tem que matar.” Aí é cerol mesmo. Se você não estiver disposto a participar disso aí, tu não vai sentar no GAT, não vai sentar numa patrulha nunca.

No livro, você descreve o constante clima de guerra e revanchismo entre policiais e traficantes e conta a história do recruta Sampaio…

É uma das partes verídicas do meu livro, fiz questão de chamar a atenção pra esse caso do Sampaio. Quem sabe para a família também ler e sentir que alguém lembrou dele. Esse caso foi muito sério… Foi pesado pra caraca… [Rodrigo chora]. No livro eu coloco que o protagonista conhecia, mas não tinha muita intimidade com o Sampaio. Eu particularmente conhecia bem o Sampaio. Um dia eu cheguei para trabalhar no CFAP, tava de serviço na guarda. Era sexta-feira de carnaval. Quando eu cheguei, já ouvi a notícia que o Sampaio tinha sido assassinado com 19 tiros, lá em Caxias [Duque de Caxias, município da região metropolitana do Rio]. O Sampaio era filho caçula de uma família relativamente grande, tinha vários irmãos, a mãe dele era uma senhora bem velhinha. Era pra ele estar de serviço comigo naquele dia. Ele ia todo dia pro CFAP de ônibus. Naquele dia, ele ia de carona com um outro companheiro lá do CFAP. Ele tava ali parado no ponto de ônibus, esperando o cara passar de carro e passaram alguns bondes de vagabundos voltando do baile. Ele morava numa área onde tinha traficantes, mas, como ele era recruta e cria da área, ele achou que teria uma tolerância com a presença dele pelo menos até ele se formar e conseguir sair. Ele tava no ponto às cinco da manhã, os vagabundos voltavam do baile e alguém o reconheceu. Eles fizeram a volta e começaram a atirar nele ali. Ele correu, correu muito, quase 800 metros. E foi cair lá perto de uma ruazinha de barro com 19 tiros de calibre .380. Todos eles nas costas. Todos.

A gente já chegou no CFAP com essa notícia próximo a nossa formatura. Aí pediram voluntários para a guarda fúnebre e eu fui pro enterro dele. Foi uma representação da polícia lá. E pô, bicho, ali eu vi como… [Rodrigo chora novamente]. Se eu tava rachado, ali foi o ponto de quebra. Pô cara, ele tinha 19 anos. 19 anos…

Como o clima de guerra entre criminosos e policiais influencia na formação do policial no dia a dia?

Depois que eu vi o Sampaio no caixão lá com flores até o pescoço, só a cara pra fora, a família dele chorando… O comandante do CFAP nem quis ir ao enterro, nenhum oficial foi. A kombi que a gente usou pra levar o corpo até o enterro, a gente teve que empurrar porque não funcionava. Depois que eu vi esse descaso todo, eu pensava: “porra, o Sampaio morreu. Tomou 19 tiros. Não é possível que vai ficar por isso mesmo”. Não teve uma palestra de alguém pra conversar com a gente, não teve um inquérito, não teve nada. Ninguém sabe até hoje quem deu 19 tiros num recruta que estava desarmado. Ninguém sabe. Ali eu pensei: “se eu der mole, vai ser um contra um e de caixão livre. Alguém vai ter que pagar, isso aqui não vai ficar de graça não. Vou ter que escolher de que lado que eu tô.” E nós nos formamos, e eu fui começar a trabalhar na rua.

Quando eu cheguei no batalhão, eu não poderia trabalhar numa coisa que fosse muito perigosa. Eles colocaram a gente num serviço de P.O, que é o Policiamento Ostensivo a pé. Eu trabalhei muito na área da Tijuca. Naquela época não tinha UPP ainda, não existia. Então a Tijuca, agora é menos, mas era uma região muito complicada de se trabalhar pela quantidade de morros ao redor. Eu trabalhava na rua 28 de setembro e no fim dessa rua era o Morro dos Macacos, que era o único morro da facção criminosa ADA (Amigos dos Amigos) em uma área cercada pelo Comando Vermelho. Era um morro muito forte, os bandidos eram muito aguerridos no combate. Não tinham medo de matar polícia, de dar tiro em polícia. É uma área onde passa muito ladrão, principalmente do Jacarezinho. Eles vinham de lá, atravessavam o túnel Noel Rosa, roubavam na 28 de setembro e voltavam pro Jacarezinho, mudavam de área de batalhão e era difícil de pegar. Ali, bicho, meio dia eu já dei tiro nos outros ali em saidinha de banco. A primeira vez que eu disparei a minha arma de fogo foi assim, meio dia e pouco, no Itaú da 28 de setembro. Tinha acabado de assumir o serviço. A gente vinha de ônibus até a 28 de setembro, eu pus os pés na rua e um camarada apontou: “Tão roubando, tão roubando”. Aí eu vi um cara saindo do banco e sentando na moto. Já puxei a arma, falei pra ele parar, e o garupa se encolheu. Aí o motorista acelerou e eu atirei. Só que eu errei e o cara escapou. Ali eu vi que o troço é de verdade, que se der mole, fechar o olho, vai ser baleado. Aconteceu também quando o Borrachinha foi baleado [episódio descrito no livro]. O Borrachinha tomou um tiro de .380 no meio do olho, foi pro hospital. E não passava uma semana sem que alguém próximo a mim tivesse levado um tiro. Policial que era baleado quando tentavam assaltar…. Quando eu tava na patrulha todo dia tinha. Todo dia, quando eu tava trabalhando na DPO, e com o rádio e eu escutava: “Prioridade, prioridade. Assalto em tal rua” é porque algum vagabundo tinha dado tiro em patrulha e tava correndo. O GAT quando entrava no Morro dos Macacos, eu tava patrulhando em volta e só ficava escutando o pau roncando lá. E eu só ficava pensando: “pô cara, eu tenho que ir pra lá, quero ir pra lá, quero dar tiro”. E agora que eu tive tempo pra parar e pensar eu fico vendo como isso é absurdo. É absurdo.

Eu via essas coisas acontecerem. Rajada de fuzil uma da tarde nos Macacos, seis horas da tarde o cara descarregando uma nove milímetros em cima da patrulha pra poder fugir. Eu via isso acontecendo. Agora eu penso como isso é surreal, é uma guerra. Essa banalização do confronto entre polícia e bandido é singular no Rio de Janeiro.

O criminoso aqui no Rio de Janeiro não tem receio de dar tiro no policial, nenhum receio. Não tem receio de jogar uma granada em cima do policial que entra numa favela. Tem noção do que é isso? Escutar uma granada explodindo e você saber que é pra você? Bicho, isso deixa qualquer um pirado. Você tá passando com a sua patrulha e de repente você escuta os tiros atrás. O cara fica louco. Bicho, você dentro de um blindado, parece que você tá no Iraque ou na Síria cara. Quando você embica de blindado dentro de um acesso à favela, é tiro batendo no vidro, na lataria. Granada explodindo. Não tem como o cara não ficar louco. Isso cria um stress no policial que tá ali direto, que fica difícil do policial equacionar isso na cabeça dele. Você imagina uma escala de 24 horas por 72 de descanso. Então o cara chega na segunda-feira, vai trabalhar. Entra no blindado, bota colete, fuzil, carregador e vai pra favela. Troca tiro, leva tiro, mata um, dois, vai pra delegacia levar a ocorrência. Vão pro batalhão. Passa terça, quarta, quinta. Sexta-feira ele entra, vai pra favela de novo, troca tiro de novo, mata mais um. Não tem como se conservar são.

O monstro é uma metáfora desse processo de desumanização pelo qual o camarada passa na lida diária do trabalho. Por mais que o cara ele tenha tendências homicidas, seja violento, tenha caráter duvidoso antes de entrar na Polícia Militar, quando ele entra isso tudo é potencializado. É a hora disso extravasar. Essa lida contínua com situações de confronto, morte e violência tem que ser encarada de maneira séria pelos gestores da Polícia Militar. A gente tem que parar e pensar: a quem interessa deixar que esse bando de alienados fique na rua matando e levando tiros. A quem interessa isso?

No livro você também comenta sobre a participação dos oficiais nesse ciclo de violência e corrupção e chega até mesmo a chamá-los de “chefes de quadrilha”. Você diz que eles estão no comando disso tudo. Como isso acontece?

É o coronelismo moderno. No militarismo, não tem como uma coisa seja ela boa ou errada continuar sem a anuência de quem tá no comando. Se eu e você estamos na patrulha e a gente começa a agir de uma maneira que está desagrando o comando, ele vai tirar a gente da patrulha. Se eu e você estamos na patrulha, trocando tiros, matando gente e a gente continua na patrulha, é porque o comando quer que a gente continue. Dentro da estrutura da Polícia Militar, o coronel, o comandante do batalhão é que coordena todo esse esquema que mantém a área do batalhão em funcionamento. Toda área de batalhão no Rio de Janeiro tem ponto de táxi, tem clínica de aborto, tem tráfico de drogas, tem oficina de desmanche, tem jogo do bicho. Essas atividades só podem ocorrer enquanto o policial não vai lá e manda parar. Por que o policial não vai lá pra impedir? Porque ele tem determinação pra não ir. Posso garantir pra você que qualquer policial do Rio de Janeiro que fechar uma banca de bicho na área do batalhão dele, no outro dia ele tá em outro batalhão. Isso se não estiver em outra cidade. E ainda pega fama de “rebelde”, de “problemático”.

Há algum tempo teve uma comoção muito grande por conta de uma menina que foi fazer um aborto e faleceu, a Jandira. Todo mundo sabia onde era aquela clínica de aborto. Por que aquela clínica não foi fechada? Se a patrulha for lá e fechar a clínica de aborto, o coronel vai querer saber porque fechou a clínica. “Ah, teve reclamação”. Ok, mas a clínica manda dinheiro pro batalhão pra continuar funcionando. Se o policial se meter nesse esquema, ele vai sofrer algum tipo de consequência. Não é consequência de morte, violência, não. É consequência administrativa. Vai ser encostado de alguma forma e daqui uma semana a clínica vai estar funcionando de novo, pode ter certeza.

No batalhão, você tem a administração da lavradura militar e tem as companhias. O comandante da companhia é quem vai definir que tipo de serviço existe dentro das companhias (se o cara vai trabalhar na patrulha, na Patamo, nas cabines…) A patrulha é considerada um serviço bom. Te deixa móvel, você consegue se movimentar bastante dentro da área do batalhão e tem possibilidade de ganhos. Você pode extorquir o usuário de drogas, você pode pegar um ladrão, tomar a arma dele e ficar com o dinheiro dele e vender a arma. É diferente do serviço baseado, que você tem que ficar parado no mesmo lugar o dia todo. Pra você trabalhar nessa patrulha, você tem que ser indicado pelo comandante de companhia, pois é ele quem determina onde cada um vai ficar. Você foi indicado, beleza, vai trabalhar na patrulha. Pra você se manter na patrulha, você vai ter que dar alguma coisa pro comandante de companhia. Porque tem alguém atrás de você que tá querendo ir pra patrulha também. Na minha época, todo mundo que trabalhava na patrulha pagava cem reais por mês pra continuar na patrulha. Cem meu e cem do comandante da patrulha. Toda sexta-feira à noite, o comandante da companhia pegava duzentos reais de cada patrulha, de quem tava de serviço à noite. Isso da patrulha. Mas ele também pega de quem tá trabalhando num subsetor, também pega 200 reais do cara que tava na cabine, mais um dinheiro do camarada que trabalha no trânsito. Quando você vai ver no final do mês, esse pedagiozinho dá uma soma boa pro comandante de companhia.

Se o cara que tá no serviço, por exemplo, a patrulha, não quiser pagar, OK. Ele só não vai ficar na patrulha, vai ser deslocado pra outro serviço. Esse pedágio é uma forma do comandante receber um dinheiro e se blindar. Ele não precisa disputar na rua o dinheiro que ele vai receber, ele recebe dentro do batalhão. É um tipo de achaque e corrupção muito difícil de ser descoberto porque um policial dificilmente vai dizer que o comandante tá extorquindo ele. Dificilmente vai dizer, dificilmente vai conseguir provar e vai sobrar pra ele.

Por que dificilmente ele vai dizer?

Porque se ele falar pro comandante do batalhão que o comandante da companhia tá pedindo cem reais pra ele continuar na patrulha, a primeira coisa que o comandante do batalhão vai dizer é: “você não tá mais na patrulha”. Ele pode tentar produzir provas, colocar uma câmera escondida, tentar ir mais a fundo. Mas aí, meu camarada, ele tá assinando a própria sentença de morte. Aí você tá querendo prejudicar o comandante da companhia, tá querendo prender o cara. Entre a própria tropa é visto como ofensivo, como uma coisa péssima. Isso não vai acontecer nunca.

Esse é só mais um exemplo. Quer outro? Pra você tirar férias, você tem que pagar o sargenteante. Olha que absurdo. Esse dinheiro é dividido entre o sargenteante, que é um sargento, e o capitão que é comandante de companhia. Isso tá no filme lá, no Tropa de Elite, não é mais novidade pra ninguém. Mas não para por aí não. Se você não quer mais trabalhar, você pode chegar no oficial e falar que não quer mais trabalhar. Ele vai falar: “Ok, todo mês o seu salário fica pra mim”. Aí o sargenteante te coloca numa escala fantasma. Ou seja, você não existe mais no batalhão. Você não precisa mais colocar os pés no batalhão. Isso é bom pro cara que trabalha na milícia, no jogo do bicho. O camarada que, por exemplo, tá trabalhando na banca do jogo do bicho. Recebe lá cinco mil por semana pra trabalhar no jogo do bicho. Ir pro batalhão pra ele é ruim porque ele perde o dia de trabalho dele no bicho. Então ele pega o salário dele de dois mil reais, deposita na conta do comandante de companhia e não aparece mais no batalhão. Fica só trabalhando no jogo do bicho. Pra ele é mais jogo, porque ele não precisa mais se expor, não precisa botar farda, ter horário, fazer a barba. O interessante pra ele é a carteira de policial e o porte da arma. Isso é muito comum, é fácil de se constatar. Qualquer promotor de justiça que chegar no batalhão de surpresa e disser: “bom dia, eu quero o efetivo do batalhão e a escala de serviço”. Ele vai encontrar, no mínimo, cinco, seis fantasmas. Em qualquer batalhão do Rio de Janeiro. Isso é batata.

Esses esquemas todos nos batalhões da Polícia Militar são muito antigos. Eles fazem parte de uma cultura da polícia. Acabar com esses esquemas todos vai demandar uma coisa muito complicada, que seria tirar o poder das mãos dos coronéis.

Por isso você defende a desmilitarização?

É um primeiro passo. Quando você vê um soldado policiando, alguma coisa já tá errada. Ou o camarada é soldado, ou é policial. Ele pode até ser um soldado policial dentro do quartel, mas não na rua. O soldado tem uma premissa que é o quê? Matar o inimigo. O soldado é formado para eliminar o inimigo e o policial não, pelo menos não deveria. O policial, ao contrário do que se acredita em boa parte da sociedade carioca, ele não foi feito pra matar ninguém. O policial não tem inimigo. O camarada que hoje tá dando tiro no policial, ontem pode ter estudado com ele, pode ter frequentado os mesmos lugares que ele. O criminoso é resultado da nossa sociedade, do nosso contexto. O crime é um fato social e o policial não pode enxergar o criminoso como um inimigo. Não é pra matá-lo. Prendeu, leva pra lei tomar as providências dela. Mas o que se convencionou acreditar é justamente o oposto.

O coronel, os oficiais, acumulam muito poder em uma figura só. O coronel tem uma área de influência enorme dentro do batalhão dele, ele determina muitas coisas. E o soldado não pode questionar o coronel. O soldado não pode entrar na sala do coronel e falar assim: “Coronel, por que eu não posso abordar aquela van pirata que tá passando ali?” Porque isso já constitui uma transgressão disciplinar. Desde o legalismo do militarismo, até as regras subjetivas que regem a relação entre subordinados e superiores hierárquicos, tudo serve para impedir o camarada de pensar. Ele não pode virar pro comandante e falar: “capitão, não vou pra rua porque o colete tá vencido”. Não pode. Ele pode reclamar do colete, mas não pode reclamar para o capitão que é quem resolveria. Quando você tira o militarismo e coloca os profissionais de segurança em nível equivalente, se o profissional de segurança questionar o coronel por que ele teve que voltar das férias pra trabalhar, o coronel não vai poder responder: “você tá indo porque eu quero. Porque eu tô determinando que você vá. E se você não for, vai ficar preso à disposição”.

Você vê que essa confusão de atribuições entre soldado e policial, elas não se resolvem de maneira fácil. As coisas continuam acontecendo aos olhos de todo mundo e ninguém faz nada. Por exemplo, aquele pessoal que tava voltando de uma festa dentro do HB20 branco e que foram perseguidos por uma patrulha. Não teve um estalinho, uma bombinha, nada que viesse do HB20 pra patrulha e o cara deu 15 tiros de fuzil no carro, num carro em fuga. Só poderia acontecer na cabeça de um soldado, na cabeça de um policial não aconteceria nunca. Um policial iria correr atrás, cercar. Mas ele não ia dar tiro em quem não tá dando tiro nele. Só na cabeça do soldado, que acha que tá na guerra e acha que se não atirar primeiro vai levar tiro. O cara foi lá, deu a sirene e o carro acelerou pra fugir da polícia. “Ah, é bandido, vou dar tiro”. Podia ser alguém bêbado, podia estar todo mundo fazendo uma suruba dentro do carro, podia ter uma cachaça no carro e o cara estar com medo de ser pego, o cara podia não ter habilitação, o cara podia ser surdo… São milhões de coisas, mas o cara não para pra analisar essas coisas porque ele não foi condicionado pra pensar, a contextualizar o tipo de serviço que ele tá fazendo. Ele foi treinado pra quê? Acelerou, correu, bala!

Aquelas crianças que tavam brincando na rua, filmando, um correu atrás do outro. Daqui a pouco é tiro pra todo lado e o garoto caiu agonizando. Sabe por que? Preto e pobre correndo na favela é bala. Depois a gente vê o que é. Foi o soldado sobrepujando o policial de novo. Ele tava entrando num território conflagrado. Ele entrou lá pra prender ou pra matar? Pra matar, pô. Se ele tivesse entrado pra prender, a primeira coisa que ele ia fazer quando viu o menino correndo era gritar pra ele parar.

A nossa sociedade carioca, principalmente da região metropolitana, criou, até por sofrer muito com os assaltos e tudo mais, um pensamento torto. Quando um policial vai lá e mata um bandido, a sociedade faz o quê? Aplaude. Toda vez que o policial entra em confronto, mata um cara que tava fazendo o arrastão a sociedade aplaude e estimula. Só que o policial militar tem que entender que quando ele errar a sociedade não vai aplaudir não. A sociedade vai sentar pra formar o tribunal do júri e vai condená-lo sem a menor vergonha. Mas ao mesmo tempo, criou-se essa cultura de que o policial tem que matar.

Tem uma frase sua no livro que até vai nesse sentido, quando você escreve: “O PM só vale o mal que ele pode causar”. Como é que o PM enxerga essa hipocrisia da sociedade que às vezes exige o policial e às vezes o monstro?

Se o PM andar com uma roupa humilde, pegar ônibus pra trabalhar, se ele não andar demonstrando que tá armado, ele vai ser encarado por aquelas pessoas que o conhecem como um policial bobão que não faz mal pra ninguém. Agora, se ele tá dentro de um Fusion, com uma pistola enorme na cintura, com roupa de marca, cordão de ouro no pescoço e mete a porrada em quem tá fazendo merda perto da casa dele. Se ele se torna algo que realmente traz risco, ele se torna valorizado. “Ih, pô, não mexe com o fulano não. Ele é polícia”. Há uma glamourização desse estado desumanizado. A sociedade valoriza mais o monstro do que o policial e é por isso que ele tá nascendo o tempo todo.

As nossas próprias autoridades políticas valorizam a criação dos monstros, mas tem que ter alguém pra eu apontar o dedo na hora que tiver dando merda. As autoridades querem que existam monstros e tem vários exemplos disso. Você lembra do caso do Matemático, que foi perseguido pelo helicóptero? O camarada de helicóptero com uma M60, atirando em um carro em fuga que não deu um tiro nele. Enquanto isso, a esteira de tiros batendo nos muros das casas, nos carros estacionados, em tudo que é lugar. Aquilo ali é o exemplo da hipocrisia e de como as nossas autoridades são parciais. Se fosse uma Patamo fazendo isso, os policiais iriam todos presos. Mas como foi o helicóptero, tá tudo tranquilo. Agora, me diz a diferença entre o cara do helicóptero e os caras do HB20? Não tem diferença nenhuma. Mas o tratamento foi bem diferente. “Ah, aquele PM ali que atirou no carro em fuga, errou. Mas o cara do helicóptero, não, vamos proteger ele porque alguém tem que fazer esse tipo de merda.”

O Estado quer que alguns profissionais façam sim esse tipo de serviço sujo. Como fizeram com o Matemático, como fizeram com o Bem-te-vi na Rocinha, mas sempre que a coisa começa a chamar muita atenção, eles entregam alguns pra serem açoitados. E com isso a gente vai empurrando. E não enfrentamos nenhum problema.

O seu livro chegou a ser proibido no BEP (Batalhão Especial Prisional, prisão para policiais militares).

A Polícia Militar não gostou do livro, tanto que ele foi censurado. Eu me ressinto um pouco de não ter previsto isso. Eu até imaginava que teria algum tipo de represália. Depois de escrever o livro, eu pensei em segurar ele e lançar quando eu saísse da prisão. Mas as coisas não se resolveram, eu já tava com o livro pronto, a editora tinha gostado e tava querendo publicar. Aí eu lancei o livro enquanto ainda tava no presídio da Polícia Militar. Foi a pior coisa que eu fiz. Escrever um livro falando mal da Polícia Militar dentro do presídio da Polícia Militar, que que tu imagina que pode ter acontecido?

Cara, quando o livro foi lançado, minha esposa levou 30 exemplares pra distribuir lá no BEP, pra alguns amigos. Eu ia dar pra rapaziada que sabia que eu tinha escrito o livro e queria ler. Quando ela chegou, não deixaram ela entrar com o livro. “Ah, mas por que não pode entrar com o livro?” “Ordem do comando, não pode entrar com esse livro no presídio.” Minha esposa ficou nervosa e foi lá no plantão do Ministério Público no centro do Rio pra contar o que aconteceu, que o livro foi censurado. Ela contou que o Elite da Tropa, por exemplo, pode entrar, o livro que o capitão escreveu. Mas o livro que o ex-soldado escreveu não pode. Aí ela foi e relatou isso lá pro Ministério Público e depois de alguns dias o MP oficiou o comando da Polícia Militar solicitando informações sobre o porque da censura prévia. O comando deu lá as explicações dele.

Dois dias depois, de madrugada, aconteceu. Entraram quatro policiais, pelo que eu pude perceber, na minha cela, todo mundo com roupa do BOPE, touca ninja, sem identificação. Entraram na minha cela, me acordaram e eu fui pro saco, tomei choque. Saco e choque pra caramba. E eles falaram: “Manda lá a tua esposa retirar a denúncia do Ministério Público, se não tu vai amanhecer suicidado aqui dentro. Na próxima vez que a gente voltar, vai ser pra você se suicidar, entendeu bem?”. Como não entender um recado desse? A minha esposa não foi mais lá, retirou a denúncia e o assunto morreu, ficou por isso mesmo. Eu falei com a minha advogada e ela foi, procurou gente pra denunciar, mas ninguém quis ouvir.

O Comando da Polícia Militar se doeu mesmo comigo, tomou como uma coisa pessoal que poderia trazer algum tipo de incômodo pra eles lá em cima. É impressionante como ainda hoje você incomoda se você falar o que você pensa, se você falar a verdade.

Teve uma livraria, uma rede de varejo que, por conta do lançamento do livro, queria fazer uma noite de lançamento. Eles queriam fazer o lançamento do livro, falaram com a minha editora e tudo mais. A Justiça autorizou a minha ida até a livraria pra poder fazer a noite de lançamento. Só que, no despacho, o juiz determinou que ficava a critério da Polícia Militar providenciar a escolta pra que eu fosse até o local de lançamento no dia tal, hora tal, pra fazer o lançamento do livro. Só que no dia, a escolta não pode me levar porque ficou empenhada em outra atividade. Ou seja, o comandante providenciou a escolta, mas no dia disse que não tinha escolta pra me levar. A tentativa era essa, de calar, de evitar que eu falasse.

Em que ponto se perde o policial e se ganha o monstro?

São vários pontos de quebra. Pra mim foi a morte do Sampaio. Quando eu vi o Sampaio morto, um recruta de 19 anos morto com 19 tiros pelas costas. Ali eu falei: “É guerra e se alguém atentar contra minha vida, eu vou tacar bala também”. Ali foi que eu percebi a crueza da morte. Essa lida diária com a violência constante é que causa a desumanização. Com a corrupção também, mas ela se torna parte do processo da violência. Porque pra você conseguir pegar o arrego do traficante, você tem que subir o morro e dar tiro nele. Se não o traficante não vai te pagar nada. Traficante não paga pra quem tá baseado na entrada do morro, porque quem tá baseado na entrada do morro não atrapalha o movimento da boca. Essa desumanização vem primeiro com a violência, depois vem com os benefícios pecuniários que você pode ter quando os outros querem evitar a violência. Primeiro eu vou lá, entro no morro, entupo o traficante de bala. Vai descer um, dois, três mortos. Na semana que vem o traficante vai pagar pra não descer mais três mortos. A corrupção é consequência desse estado de violência que o policial tá sujeito o tempo todo. O policial militar tá o tempo todo oprimido: na folga dele ele tá oprimido, tem receio de ser reconhecido, assassinado. Pra mim esse ponto de quebra foi perceber que eu estava no meio de uma guerra de verdade. E como o Sampaio, depois vi muitos outros amigos morrendo, fui a muitos enterros, funerais. Mas aí eu já estava mais recrudescido. Tem outro caso que eu conto é o de dois policiais assassinados numa cabine, no Andaraí, o sargento Marco Aurélio e o cabo Peterson. Eles chegaram pra trabalhar, de manhã cedo, e lá na cabine Caçapava o vagabundo matou os dois de .45. O cara fugiu sem levar nada. Cheguei lá pra ver e tava o sargento Marco Aurélio sem a parte de cima da cabeça e o Peterson tava todo cheio de tiros no tórax.

Muita gente da minha turma morreu, tá presa, foi excluída. E a fábrica de monstros tá aberta, continua lá. Eles vão preenchendo. Sempre tem gente querendo entrar por causa dessa glamourização do monstro. Todo concurso da PM é 100 mil inscritos, 80 mil inscritos. É muita gente, pô. A relação candidato/vaga é paralela a vários cursos aí da UERJ. A fábrica tá aberta e muita gente quer entrar nela, mas a gente vê que tá tudo errado.

Ciro Barros

Fonte: Carta Capital

domingo, 9 de agosto de 2015

Esposa conta como o Cabo Santos foi assassinado; a participação do enteado de 12 anos.

Andréa Santos Coelho confessou o assassinato do cabo PM Jeová Santos, morto ontem (8) à noite enquanto dormia em sua residência, no Parque dos Farois, em Nossa Senhora do Socorro.

Andréa era esposa do militar e disse à polícia que o casal enfrentava crise conjugal, "por conta de traições". Ela disse que o marido mantinha relações extraconjugais e que, por isso, planejou com os filhos a morte do militar. Ainda segundo ela, há cerca de dois meses, "por mau comportamento", Cleverton Coelho Santos, 19 anos, seu filho, enteado do PM, foi expulso de casa.

A polícia informa que Cleverton é contumaz assaltante e traficante de drogas. Ele visitava a mãe apenas quando o militar não estava em casa. Segundo Andréa, depois que soube que a mãe havia "tomado um empurrão" do PM, arquitetou com ela e seu irmão, de apenas 12 anos de idade, também enteado do militar, a sua morte.

Combinaram que Cleverton entraria na casa para executar o PM num dia em que ele estivesse sob o efeito do álcool, dormindo. O portão da frente ficaria aberto e ele fugiria pelos fundos, onde uma escada facilitaria a subida no muro, muito alto da residência.

Ontem, o militar saiu de casa e, ao retornar por volta das 17h, foi dormir. Andréa disse que esperou que o menor de 12 anos chegasse em casa e pediu que ele fosse atrás de Cleverton, que estava em uma boca de fumo, e comunicasse ter chegado a hora de matar o PM.

Cleverton entrou na casa portando um revólver, "supostamente emprestado", e disparou tiros na têmpora do PM, que estava dormindo, sem qualquer condição para reagir. Em seguida, levou a pistola do PM, uma ponto40 que estava no guarda-roupa, e fugiu pelos fundos usando a escada, como foi combinado.

Depois, Andréa foi para a rua pedir ajuda dos vizinhos dizendo ter sido vítima de assalto. O menor só voltou para casa instantes depois. Diante das suspeitas da polícia, de que o executor conhecia bem a rotina da casa, mãe e filho de 12 anos confessaram tudo. Andréa disse que não aceitava a separação.

Fonte: NE NOTÍCIAS

Mais um policial é morto em Sergipe. Cabo da PM foi assassinado em casa enquanto dormia.

Cabo J. Santos é o terceiro PM assassinado somante este ano em Sergipe.

Mais um fato lamentável é registrado em Sergipe. No início da noite de hoje (08), bandidos encapuzados invadiram a residência do Cabo da Polícia Militar Jeová Santos. Se aproveitando de que o policial estava dormindo, os marginais pegaram sua arma e executaram o PM, fugindo em seguida pelos fundos do imóvel localizado no Conjunto Parque dos Faróis, no município de Nossa Senhora do Socorro, levando consigo a pistola calibre .40 do policial.

As primeiras informações dão conta de que o policial era lotado no 7º BPM, em Lagarto. Diversas viaturas estariam no local fazendo buscas no intuito de capturar os criminosos. Nas redes sociais já circula a informação de que já haveria um dos envolvidos presos. O blog vai aguardar a chegada de mais informações e confirmações para poder publicá-las.

A Diretoria da Aspra/SE lamenta profundamente a terceira morte de um policial vítima de homicídio este ano no estado. Numa semana onde já havíamos perdido dois companheiros, um por suicídio e outro por problemas de saúde, a notícia do assassinato do Cb J. Santos cai como uma bomba sobre a família militar e gera um sentimento de revolta diante de toda a fragilidade da nossa segurança pública, a ponto de os próprios profissionais do setor também estarem se tornando vítimas de tamanha violência.

Pedimos a Deus que conforte os familiares do Cb J. Santos e que Deus o acolha em sua nova morada. Fica com Deus J. Santos!

sábado, 8 de agosto de 2015

Bandidos encapuzados matam PM enquanto ele dormia em casa

No início da noite deste sábado, dois bandidos encapuzados pularam o muro da casa de um policial militar, invadiram sua residência, renderam familiares e desferiram tiro em sua cabeça. O policial estava dormindo. O crime ocorreu na rua 42, número 240, no Parque dos Faróis, em Nossa Senhora do Socorro. A vítima era o Cabo Jeová Santos, que atuava no município de Lagarto. Os bandidos levaram uma arma ponto 40.

Fonte: NE Notícias

Feliz Dia dos Pais!





Simplesmente pai.

Ser pai é acima de tudo, não esperar recompensas. Mas ficar feliz caso e quando cheguem.

É saber fazer o necessário por cima e por dentro da incompreensão. É aprender a tolerância com os demais e exercitar a dura intolerância (mas compreensão) com os próprios erros.

Ser pai é aprender errando, a hora de falar e de calar. É contentar-se em ser reserva, coadjuvante, deixado para depois. Mas jamais falar no momento preciso.

É ter a coragem de ir adiante, tanto para a vida quanto para a morte. É viver as fraquezas que depois corrigirá no filho, fazendo-se forte em nome dele e de tudo o que terá de viver para compreender e enfrentar.

Ser pai é aprender a ser contestado mesmo quando no auge da lucidez. É esperar. É saber que experiência só adianta para quem a tem, e só se tem vivendo.

Portanto, é aguentar a dor de ver os filhos passarem pelos sofrimentos necessários, buscando protegê-los sem que percebam, para que consigam descobrir os próprios caminhos.

Ser pai é saber e calar. Fazer e guardar. Dizer e não insistir. Falar e dizer. Dosar e controlar-se. Dirigir sem demonstrar. É ver dor, sofrimento, vício, queda e tocaia, jamais transferindo aos filhos o que, a alma, lhe corrói.

Ser pai é ser bom sem ser fraco. É jamais transferir aos filhos a quota de sua imperfeição, o seu lado fraco, desvalido e órfão.

Ser pai é aprender a ser ultrapassado, mesmo lutando para se renovar. É compreender sem demonstrar, e esperar o tempo de colher, ainda que não seja em vida.

Ser pai é aprender a sufocar a necessidade de afago e compreensão. Mas ir às lágrimas quando chegam.

Ser pai é saber ir-se apagando à medida em que mais nítido se faz na personalidade do filho, sempre como influência, jamais como imposição. É saber ser herói na infância, exemplo na juventude e amizade na idade adulta do filho. É saber brincar e zangar-se.

É formar sem modelar, ajudar sem cobrar, ensinar sem o demonstrar, sofrer sem contagiar, amar sem receber.

Ser pai é saber receber raiva, incompreensão, antagonismo, atraso mental, inveja, projeção de sentimentos negativos, ódios passageiros, revolta, desilusão e a tudo responder com capacidade de prosseguir sem ofender. De insistir sem mediação, certeza, porto, balanço, arrimo, ponte, mão que abre a gaiola, amor que não prende, fundamento, enigma, pacificação.

Ser pai é atingir o máximo de angústia no máximo de silêncio. O máximo de convivência no máximo de solidão.

É, enfim, colher a vitória exatamente quando percebe que o filho a quem ajudou a crescer já, dele, não necessita para viver.

É quem se anula na obra que realizou e sorri, sereno, por tudo haver feito para deixar de ser importante.

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